Cheguei a São Tomé às 7h00. Olhava pela janela do avião depois de uma noite muito mal dormida e vislumbrava uns montes de verde, mar azul, nuvens… e a aterragem! À saída do avião inspirei fundo…África! Quente! Cheira tanto a terra!
Um misto de emoções percorria-me enquanto entrava no “aeroporto”: uma sala com uns sofás, a fotografia do presidente, umas cortinas pesadas, chão de madeira, quadros de cacau… Jovens das forças militares a pedirem os passaportes, a distribuírem papéis para preenchermos sobre possível contágio de gripe A.
O Dr Edgar Neves, responsável pelo projecto “Saúde para todos” do Instituto marquês de Valle Flor recebeu-nos (a mim e ao grupo de médicos e enfermeira que vieram esta semana) com o seu sorriso e braços abertos. Entrámos nos jipes do Instituto enquanto éramos bombardeados por meninos a tentar vender colares de sementes: “Menina, não esquece o Mike, no último dia dá mochila para a escola! Toma um colar de presente, não esquece o Mike..”
Rumo à capital São Tomé, eis o que, de olhos bem abertos, fui retendo: mulheres apressadas, com tudo à cabeça; trouxas, baldes, alguidares…, homens de mota, de bicicleta, a pé… crianças a jogar à bola, muitos carros a amarelos (além dos táxis), o mar a bater nas rochas e a tocar a estrada, a baía maravilhosa, o céu nublado, o calor da terra, casas lindas pela estrada fora, muitas delas degradadas…
Deixei as coisas na minha casa e tive tempo apenas para ver que tem uma cozinha, sala, quarto tudo junto e giro e acolhedor, e uma casa de banho! É linda!
Pequeno-almoço, escritório do Instituto para falar sobre o projecto, Hospital. Parece o Curry Cabral com os serviços separados por casas, mas versão pobre e sem muito material. Nesta primeira semana vou estar no Bloco Operatório a tentar encontrar forma de instituir cuidados de higiene e assepsia nos procedimentos… não será fácil, mas será desafiante!